Notícias da Igreja

Bastidores da 56ª AG: Cerca de 500 profissionais foram envolvidos na organização

 

Anualmente, os bispos do Brasil se reúnem para a Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Este ano, a AG aconteceu de 11 a 20 de abril e discutiu as Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil. Um ano de preparação antecede os 10 dias de encontro entre os pastores de nossas Igrejas particulares.

A preparação é dividida entre as reuniões de sistematização do tema central, sempre escolhido na assembleia anterior, e a parte da logística, que envolve um batalhão de profissionais. Considerando a movimentação dos participantes da Assembleia Geral, pode-se imaginar a quantidade de profissionais envolvidos direta ou indiretamente. A média diária de participantes chega a 400 pessoas que se deslocam pelo menos quatro vezes ao dia do hotel Rainha do Brasil, onde bispos e colaboradores se hospedam, ao Santuário e ao Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, local onde acontece a AG.

“Encerrada uma assembleia, inicia-se a preparação para a seguinte, especialmente no que diz respeito à constituição da Comissão Episcopal para o tema central e para os temas prioritários e o início da elaboração dos textos que irão à análise e votação”, explica o subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Antônio Silva da Paixão.

Ao mesmo tempo, a 1.149 km de Brasília (DF), sede da CNBB Matriz, uma equipe do Santuário Nacional de Aparecida (SP), de cerca de 150 pessoas, trabalha durante 3 meses para organizar a parte logística da assembleia para receber os 319 membros da conferência que tem direito a voto (cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, prelados, auxiliares, coadjutores e administradores diocesanos).

Enquanto essa turma toda trabalha nos bastidores para que a assembleia vá tomando corpo, os bispos e peritos se reúnem ao longo do ano para preparar o texto que será apreciado em plenária.

Além do núncio apostólico no Brasil e dos bispos eméritos – aqueles que já renunciaram ao governo de Igrejas Particulares e se encontram num tempo fértil de descanso e em trabalhos diferentes -, são convidados os bispos não-membros da entidade, de qualquer rito, mas em comunhão com a Santa Sé e com residência no Brasil, além de assessores, peritos e encarregados dos serviços. “Para tudo é preciso uma estrutura de suporte bem grande”, diz o padre Antônio.

“ É necessário organizar os serviços de hospedagem e alimentação, transporte, segurança, médicos, informática, comunicação, serviços gerais, do atendimento em vista das sessões plenárias e das reservadas. A equipe de trabalho é constituída por assessores e colaboradores da CNBB Matriz”, diz o subsecretário geral da CNBB.

No centro de eventos, além da estrutura de mesas e cadeiras para todos os participantes e convidados, funciona na área aberta à visitação os stands de expositores, cabines de rádio, sala de imprensa para receber os jornalistas que fazem a cobertura com suporte para acesso à internet e cabos de rede para os computadores, a parte de áudio e vídeo do salão principal, a sala de entrevistas coletivas e espaços onde os bispos fazem pequenas reuniões. Também é montada a sala do Núncio Apostólico no Brasil.

15ª Assembleia Geral em 1977. Foto: Arquivo CNBB/CDI

História – A assembleia Geral foi instituída pelo estatuto canônico da CNBB, em 1952, no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro (RJ), espaço onde funcionou por 25 anos. A versão atual do texto regimental da Conferência (Doc. 70) descreve a Assembleia Geral como “órgão supremo da CNBB, expressão e realização maiores do afeto colegial, da comunhão e corresponsabilidade dos Pastores da Igreja no Brasil”, com a finalidade de realizar os “objetivos da CNBB, para o bem do povo de Deus” (art. 27) e para fazer “crescer a comunhão e a participação” (art. 28), “a Assembleia Geral tratará de assuntos pastorais de ordem espiritual e de ordem temporal e os problemas emergentes da vida das pessoas e da sociedade, sempre na perspectiva da evangelização” (art. 29).

O regimento atribui ao Conselho Permanente -constituído pela presidência da entidade, os bispos representantes de seus 18 regionais e os bispos que presidem as comissões episcopais pastorais – a incumbência de “determinar a pauta para a Assembleia Geral” (art. 90), avaliando as propostas enviadas por quem de direito. Por isso, cada AG se caracteriza por uma pauta muito extensa, em vista das necessidades do momento. O Conselho Permanente acolhe, ao máximo, os temas sugeridos que são agregados aos temas permanentes.

A primeira AG foi realizada de 17 a 20 de agosto de 1953, em Belém (PA). Na ocasião, o encontro reuniu vinte arcebispos do Brasil na época e ocorreu simultaneamente ao 6º Congresso Eucarístico Nacional. Pelo primeiro estatuto da CNBB, o encontro dos arcebispos metropolitanos deveria ocorrer a cada dois anos. A partir de 1967, passaram a ser realizadas anualmente.

A cada quatro anos, com pauta especial, a Assembleia Geral inclui, como tema central, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) e a eleição da nova presidência da entidade: o presidente, o vice-presidente e o secretário-geral, além dos presidentes das Comissões Episcopais de Pastoral. Já foram realizadas 55 Assembleias Gerais da CNBB. Destas, 33 encontros foram realizados no mosteiro de Vila Kostka, em Itaici (SP). Já foram realizados encontros em Roma, Itália, e em outras 6 capitais brasileiras e no Distrito Federal. A partir de 2011, a AG passou a ser realizada em Aparecida (SP).

Uma das colaboradoras mais antigas da CNBB, Sônia Milhomen, mais conhecida como Soninha, completa 30 anos de serviço à AG em 2018. Para ela, esse trabalho representa um privilégio do amor de Deus, uma nobre missão de servir com alegria e amor a Igreja. “Nos primeiros anos trabalhei na equipe de acolhida e recebíamos com ternura todos aqueles que chegavam. Depois continuei ajudando na secretária técnica, tarefa que realizo até hoje. Trabalhamos antes, ajudando na preparação do evento, e depois reunindo todos os documentos para a guarda da documentação. Faço com muito zelo, dedicação e amor”, destaca Soninha.

Cobertura de Mídia – Na ala de recepção do local da assembleia, é montada a sala de Assessoria de Imprensa da CNBB, que conta com a presença permanente de três jornalistas, um fotógrafo e um facilitador da comunicação entre os profissionais e os bispos em plenário. Neste lugar, referência para todo tipo de informação a respeito do encontro, também são distribuídas credenciais aos jornalistas que fazem a cobertura do evento.

Numa sala exclusiva e instalações apropriadas, os jornalistas credenciados podem realizar seus trabalhos contando com internet cabeada. Com experiência de 20 anos cobrindo a assembleia, a jornalista da Rede Vida de Televisão, Andréa Bonatelli diz que a cobertura do evento é uma experiência única, na qual é possível ter contato com todo episcopado, inclusive das regiões mais remotas e assim saber mais sobre o trabalho da Igreja por todo país. “É uma correria mesmo. Temos que aproveitar a assembleia para produzir o máximo de matérias e programas que pudermos. E ainda temos que adequar os nossos horários com os horários dos bispos. É um sufoco que vale a pena. O resultado compensa “, destaca Andréa.

Todos os dias da semana, os jornalistas participam de dois momentos nos quais podem suprir a busca de informações: a Entrevista Coletiva, sempre com três bispos. Várias equipes de emissoras de TV, rádio e jornais de inspiração católica fazem a cobertura permanente. Ainda se fazem presentes em algum momento grandes veículos da mídia nacional como jornais, TV´s, rádio e portais. Também participa do evento a redação do programa brasileiro da Rádio Vaticano, atualmente Vatican News, que veicula as notícias da AG em para nove idiomas.

“Pelo 16º ano consecutivo a Rádio Vaticano, agora Vatican News, estará presente na Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. Pela primeira vez como Vatican News será uma cobertura total, seja através de programas radiofônicos, ou das redes sociais. Portanto, teremos uma cobertura além do áudio, com a rádio, também com imagens que falarão de como está pulsando o coração da Igreja Católica no Brasil”, ressalta Silvonei José responsável do Vatican News em língua portuguesa.

Silvonei acrescenta ainda que através do encontro o Vatican News conta o dia-a-dia dos trabalhos e paralelamente a vida das dioceses brasileiras, seus desafios, suas pastorais e conquistas. “Será uma coberta para o mundo inteiro. Vamos levar a atividade e a ação pastoral e evangelizadora da Igreja Católica no Brasil às realidades das igrejas particulares em todos os ângulos do planeta através do portal de Vatican News. Será uma sinergia entre a comunicação do Vaticano e a comunicação da CNBB”, finaliza.

Esses dez dias de AG são bastante intensos para quem faz a cobertura no Brasil, são muitas matérias, links ao vivo, postagens em redes sociais. Todo esse trabalho também tem suas vantagens. É um espaço de fazer novas amizades e de troca de experiência entre os profissionais.

“Nos bastidores temos contato com outros profissionais de comunicação, conhecemos muita gente e podemos trocar experiências. Fiz grandes amizades a partir da assembleia, que também é momento de rever amigos “, analisa Bonatelli.

Em 2016, foram cerca de 30 veículos, entre jornais, revistas, rádios, portais e emissoras de TV. O destaque foi a presença dos meios de comunicação de inspiração católica, os quais representam 80% dos profissionais que participaram das últimas assembleias e que permanecem, em sua maioria, durante todo o evento.

A jornalista da TV Aparecida Camila Morais participou da cobertura da 55ª AG e ressaltou a riqueza e a importância de trabalhar no evento. “É gratificante poder mostrar para as pessoas que a Igreja está em todos os lugares atuando na política, na economia, na cultura e sendo a voz dos que mais precisam”, comenta Camila.

Colaboradores
Na CNBB Matriz: trabalham na preparação do evento, a Secretaria Técnica, Tecnologia da Informação, o Financeiro, Passagens, a Contabilidade, o Centro de Documentação e Informação (CDI), Compras, Assessoria de Imprensa e assessorias (tema central, liturgia, música litúrgica). Tudo supervisionado pelo secretário-geral e pelo subsecretário adjunto geral da entidade.

No Santuário de Aparecida, sob a supervisão do reitor: a Coordenadoria de Eventos/Contratos, Liturgia, Segurança, Hotel (hospedagem e alimentação), Transporte, Serviços Gerais, Tecnologia da Informação, Saúde, Comunicação. Durante os 10 dias de evento são aproximadamente 60 pessoas envolvidas.

Matéria publicada na Revista Bote Fé, nº 23 – Abril/Junho 2018.

 

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