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Dom Plínio diz que técnicos do governo farão visita à região dos grandes projetos econômicos

Erivan Lima
Redator

O Bispo Diocesano de Picos, dom Plínio José Luz da Silva, participou nessa quinta-feira (28), de mais uma reunião na capela de São José, da comunidade Baixio dos Belos, município de Curral Novo do Piauí. Dezenas de representantes das comunidades impactadas pelos grandes projetos econômicos da mineração, parques eólicos e ferrovia Transnordestina, ouviram do bispo a informação que técnicos do Governo do Estado farão visita a região no período de 11 a 16 deste mês de março.

Nessa reunião, o Bispo de Picos foi acompanhado pela secretária de Planejamento de Picos, Oneide Rocha. A secretária participou da reunião a pedido da vice-governadora do Piauí, Regina Sousa (PT), na condição de sua representante. “A vice-governadora Regina Sousa pediu que eu participasse desta reunião, para ouvir os relatos, ver a situação e repassar-lhe os dados colhidos neste encontro”, disse Oneide Rocha.

Ainda de acordo com a secretária Oneide Rocha, a vice-governadora Regina Sousa demonstra interesse de que o Governo do Piauí tenha atuação mais efetiva no enfrentamento dos problemas que atingem as comunidades da região. Segundo afirma, a ideia é conhecer a situação dos moradores e adotar as medidas que possam atender melhor as demandas apresentadas.

Invasão e destruição de propriedades

Durante a reunião, os moradores da região relataram vários problemas. Maria Louraci da Silva, de Baixio dos Belos, disse tem vivido dias de muito sofrimento. “Minha casa foi destruída pela empresa. Disseram que iam me indenizar e até hoje não recebi nada”. afirmou.

Nessa mesma linha de aflições estão Isabel da Costa (Caldeirãozinho), Edvaldo Camilo e Maria de Hilda (Serra Vermelha, Paulistana). Todos relataram que suas terras foram invadidas e que até o momento não receberam o pagamento que reclamam, como indenização.

O líder quilombola, Francisco Rodrigues (Chicão), da comunidade Contente, afirma que alguns poucos casos conhecidos as indenizações oferecidas são de R$ 5,00 (cinco reais). “Para receber esses cinco reais, o proprietário indenizado tem que pagar dez reais de transporte para ir até a cidade receber o dinheiro da indenização”, afirma Chicão.

Francimar Rodrigues, gestora escolar na comunidade Serra Vermelha, em Paulistana, disse que o açude que servia para abastecer a comunidade foi destruído para dar lugar a colocação dos trilhos da ferrovia Transnordestina. “Nossa comunidade está muito prejudicada. A empresa ainda tentou resolver o problema construindo outro açude. Mas, a água acumulada seca rápido porque eles construíram o novo reservatório com pedras e a água logo some”, disse.

Atuação da Igreja Católica na região

Ao iniciar sua fala na reunião da Capela de São José, o Bispo de Picos, dom Plínio José explicou que foi abordado por duas senhoras, numa das missões que realizava na região. “Elas estavam bastante sofridas e relataram sobre as invasões de propriedades, das ameaças e suas preocupações. Elas diziam que não sabiam mais o que fazer e a quem recorrer, e pediram ajuda”, lembrou.

A partir desse pedido de socorro, dom Plínio disse que faria uma visita nas comunidades atingidas. Isso foi há cinco anos. Além das visitas às famílias e à região, que se tornaram mais frequentes, também chegaram a Comissão Pastoral da Terra (CPT), com um curso de formação jurídica com conteúdo sobre direitos – ministrado pelo Coletivo Antônia Flor – e a Cáritas Brasileira.

Dom Plínio já declarou em vários momentos, que tem sido graças a ação desse conjunto de esforços solidários, envolvendo a Diocese de Picos, Área Pastoral de Curral Novo, CPT, Cáritas, Coletivo Antônia Flor e apoio de vários outros agentes sociais, que foi possível despertar e formar uma nova consciência, na perspectiva da garantia de direitos e melhoria da qualidade de vida dos moradores da região.

Para o Bispo de Picos essa nova consciência e engajamento das comunidades são de fundamental importância para uma reação organizada e propositiva no enfrentamento dos desafios advindos da implantação desses projetos. Atualmente são quatro: a Transnordestina, (momentaneamente parada), os parques eólicos (em funcionamento), a mineração, e a energia solar, em vias de implantação.

Dom Plínio disse que neste momento a Igreja precisa estar do lado do povo, nas comunidades, porque tem muita gente que sofreu e ainda sofre muito. Ele disse que a exemplo dos moradores da região, tem reclamado e esperado que o governo se faça presente com informações sobre a implantação desses projetos e os impactos sobre a vida dos moradores, bem como seus possíveis benefícios.

Área Pastoral de Curral Novo assume ação solidária

O vigário paroquial da Paróquia São Simão, a serviço da Área Pastoral São Francisco de Assis, em Curral Novo do Piauí, padre Francisco Berto, disse que desde sua chegada na área pastoral, percebe um crescimento sensível na consciência das pessoas das comunidades atingidas pelos projetos econômicos. Ele disse que o curso promovido pelo Coletivo Antônia Flor, significou um grande avanço nessa tomada de consciência.

Para o sacerdote, a Diocese de Picos tem desempenhado um papel muito importante ao longo de todo o processo de crescimento da comunidade. Ele disse que na condição de vigário paroquial tem procurado dar o suporte para comunidade. “A Igreja não é contra os projetos econômicos. Mas é sua missão trabalhar para que toda pessoa tenha seus legítimos direitos assegurados”, enfatizou.

Expressão da consciência de comunidade

Para a moradora da comunidade Baixio dos Belos, Sandecleia Modesto de Macedo, “a dúvida e o medo que antes nos dominavam foram substituídos pela confiança e pela decisão de lutar pelos nossos direitos”.

Sandecleia disse que a reunião realizada na quinta-feira (28) para tratar sobre a visita de técnicos do governo à região é parte das conquistas alcançadas. “Queremos que o governo cumpra com o seu papel de garantir aquilo que nos é de direito. Isso não é favor. Precisamos apenas que respeitem o que é nosso”, enfatiza.

Técnicos do governo farão visita à região dos grandes projetos

A reunião dessa quinta-feira, em Baixio dos Belos, aconteceu depois de um encontro realizado no dia 18 de fevereiro, na Secretaria Estadual de Planejamento, em Teresina, com a participação do Grupo de Trabalho (GT) criado a partir das demandas apresentadas pelas comunidades, durante a 14ª Romaria da Terra, realizada em Paulistana, nos dias 14 e 15 de julho de 2018.

Algumas das principais demandas pautadas na 14ª Romaria da Terra, estão ligadas à implantação dos grandes projetos econômicos da mineração, parques eólicos e da ferrovia Transnordestina.

Na mesma reunião, de 28 de fevereiro em Baixio dos Belos, foi anunciada a visita de técnicos ligados a órgãos do governo com a finalidade de identificar os problemas existentes comunidades atingidas por esses grandes projetos econômicos.

A visita também será acompanhada por integrantes da Cáritas, CNBB, Comissão Pastoral da Terra (CPT), representantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), além de outros agentes sociais. A visita tem programação agendada para o período de 11 a 16 deste mês de março.

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