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A Romaria da Terra e da Água do Piauí um evento realizado pela CNBB NE 04, pelas pastorais sociais e organismos pertencentes a CNBB é um evento que já acontece há aproximadamente trinta anos e em sua 13º edição teve como Tema “Direito dos Povos, garantia de Vida e Paz” e como lema: “Eu darei esta terra à sua descendência” (Gn 12,7), contou com a participação de autoridades eclesiásticas, como bispos e padres, religiosas, autoridades civis e de vários romeiros de todas as dioceses pertencentes do regional NE4 bem como de outras dioceses, que com muita fé se descolocaram para a cidade de Oeiras, local onde aconteceu a romaria. De acordo com as estimativas dos organizadores do evento, nos dias 17 e 18 de outubro, Oeiras, que fica localizada a cerca de 300 km da capital do estado, Teresina, recebeu em torno de 20.000 romeiros os quais poderão presenciar momentos marcantes que vão ficar gravado na memoria de todos, pois a romaria ira deixar um legado muito importante no que tange as reivindicações do povo que luta contra as discriminações enfrentadas pelo homem que depende da terra e da água para sobreviver.

Para tratar dessas reivindicações a Romaria da terra contou com a realização de seminários, nos quais num total de quatro debateu varias temáticas relacionadas à Romaria, como: a questão da realização de grandes projetos e seus impactos sócio ambientais, migração forçada, trabalho escravo entre outros temas. Os seminários foram realizados sábado dia 17 de outubro na parte da tarde e os participantes tiveram a oportunidade de presenciar a verdadeira realidade vivida pelo homem do campo.
Em um dos seminários cujo tema: “Grandes projetos e impactos socioambientais”, que aconteceu no Ginásio de Esportes “Santaninha”, teve a presença de mais de mil pessoas e contou com a presença dos bispos de Picos, dom Plínio, do Arcebispo de Teresina, Dom Jacinto, do Bispo de Bom Jesus, dom Marcos Tavoni, do Bispo de Oeiras, dom Juarez, do governador do estado, Wellington Dias, do prefeito da cidade, Dr. Lucano, entre outras autoridades civis e leigos(as). Nesse seminário foi possível perceber que a construção da ferrovia transnordestina esta causando sérios e graves problemas para os proprietários de terra da região em que a ferrovia ira passar, nos quis estão sendo obrigados a desocupar suas propriedades em troca de uma indenização que por vezes chega a ser oferecida por 8 reais. Também nesse mesmo seminário foi discutido a questão da mineração, um problema que o bispo de Picos, Dom Plínio, que com sua coragem enfrenta de frente; muitas vezes arriscando ate sua própria vida.

Sábado no período da noite aconteceu a Tribuna Popular, momento esse destinado a socialização dos debates e apresentações de reivindicações. O encerramento da romaria aconteceu no domingo, dia 18, com a caminhada e santa missa presidida por Dom Juarez, concelebrada pelos bispos do Regional NE4-CNBB bem como por uma boa parte do clero do Regional.
As celebrações tiveram início logo cedo, às 04h da manhã, com uma grande concentração de romeiros no sopé do Morro do Leme, onde foram acolhidos e de lá saíram em procissão pelas ruas históricas de Oeiras, com paradas estratégicas e reflexivas. A primeira parada foi em frente ao prédio da Justiça Eleitoral, ponto de reflexão sobre a corrupção no país e a traição ao povo. Neste ato foi fincado no chão em frente ao prédio, um cartaz com a proposta da Reforma Política da CNBB, OAB e Movimentos Sociais.

Em seguida os romeiros seguiram em caminhada até o Hospital Regional Deolindo Couto, onde aconteceu a segunda parada, refletindo o descaso no atendimento à saúde pública, através do SUS. Os participantes colocaram três cruzes grandes feitas de madeira tosca em frente ao hospital, sinais de morte pela falta de atendimento digno. Depois três panos brancos sobre as cruzes, sinalizando a vida e a luta pela construção de hospitais, pelo atendimento de qualidade, pela medicina popular e pelo cuidado que todos devem ter com o outro, produzindo alimentos sem veneno para não prejudicar e serem motivos de doenças e males.

Chegando ao Centro Histórico, a caminha fez sua última parada às margens do riacho Mocha e a galeria do Pouca Vergonha, onde representantes da AMO – Associação Ambiental de Oeiras, ministraram reflexão a partir de performance e leitura de poemas, mostrando que é preciso a partir da situação do Mocha, cuidar das águas do planeta e conscientizar a população sobre a poluição e desmatamento das margens dos rios e riachos do Brasil.

A caminhada seguiu para a Praça das Vitórias, onde foi celebrada a Santa Missa, no adro da Igreja catedral, encerrando o evento religioso e de cunho social. Antes da celebração os romeiros foram acolhidos na praça, pelo coral Madrigal que entoou o hino da Romaria e em seguida o povo acolheu a bandeira do Divino, trazida pela família guardiã da imagem do Divino Espírito Santo. Com todas as manifestações de acolhida, teve início à missa, momento celebrativo de muito fervor missionário. No final da celebração os bispos presentes fizeram um momento de bênção mariana com a imagem de Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Oeiras e do Piauí.

Em sua homilia durante a celebração, dom Juarez Sousa, bispo de Oeiras, fez críticas a busca desenfreada pelo poder e dinheiro, onde o desejo do ter é mais importante do que a vida e onde a natureza, o homem do campo e as pessoas mais pobres são as grande vítimas. “É preciso lutar pelos direitos dos povos, garantindo paz na promoção da vida e no favorecimento dos que mais sofrem”, concluiu Juarez.

Estiveram presentes na santa missa, o bispo de Oeiras, dom Juarez, o bispo dom Plínio de Picos, dom Valdemi, bispo de Floriano, dom Marcos, bispo de Bom Jesus, dom Jacinto, bispo da Arquidiocese de Teresina, o bispo de Campo Maior, dom Eduardo, além de diversos sacerdotes acompanhados de suas caravanas.