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Foi um momento histórico. Uma celebração inédita para a Igreja de Teresina. No último domingo, dia (13), pela primeira vez foi aberta a porta da Misericórdia na Catedral de Nossa Senhora das Dores. O Arcebispo de Teresina, Dom Jacinto Brito presidiu a Santa Missa que teve início ao meio dia (12h). Acompanhado de padres, diáconos, leigos, seminaristas, consagrados e os bispos eméritos (Dom Miguel e Dom Celso) o momento reuniu milhares de fiéis. Muitos tiveram de acompanhar do lado de fora da Igreja a celebração que se estendeu pela tarde.

“A abertura de uma porta Santa no ano do Jubileu e ver aqui a presença do Povo de Deus é um reforço da imagem que tenho da Igreja de Teresina. Fiéis numerosos numa esperança e num ato de confiança, porque Deus nos dá a graça de vivenciarmos o ano da Misericórdia. Um momento que atende ao chamamento do Santo Padre para sermos mais misericordiosos”, evidenciou Dom Jacinto.

O Jubileu da Misericórdia foi convocado pelo Papa Francisco para ser vivido intensamente em cada Igreja particular, de forma a permitir que todos possam encontrar a misericórdia de Deus Pai por meio da atuante missão da Igreja. O sinal mais evidente deste cuidado pastoral é a possibilidade de as Portas Santas serem abertas em cada diocese. Estas portas, análogas às Portas das Basílicas papais em Roma, permitem que aqueles que não podem ir a Roma, também realizem a sua peregrinação jubilar.

E aqui em Teresina, Dom Jacinto conduziu o ato que, de forma solene, foi marcado pela abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro no Vaticano, no dia 8 de dezembro passado. Em seguida todas as catedrais abriram a própria Porta da Misericórdia em comunhão com a Igreja de Roma dentro da celebração eucarística do terceiro domingo do Advento.

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O Vigário da Arquidiocese de Teresina, Padre Tony Batista lembrou em sua fala durante celebração sobre a importância desse ano para os fiéis católicos. Este é o primeiro jubileu desde o que foi convocado por João Paulo II, em 2000, para assinalar o início do terceiro milênio. “Entramos num corre-corre que perdemos a sensibilidade e conseqüentemente a misericórdia. Então devemos refletir. Esse chamamento do pai é para sermos misericordiosos. Não é uma frase de efeito. Devemos ter misericórdia na família, nas relações entre marido e esposa. Misericórdia na relação de padres com seus fiéis. Do médico em seu consultório. Enfim, devemos ter o cheiro e a cara da misericórdia em tudo que fizermos. É um momento de conversão”, conclamou.

 

Durante a celebração os fiéis se emocionaram e o arcebispo orientou: “O itinerário mais simples para vivenciar o ano santo são as obras de misericórdia corporais e espirituais que o catecismo antigo já nos dava. Mas eu digo que o melhor mestre não é o catecismo e sim o Espírito Santo que vai inspirando a cada um na hora certa. É importante reforçar que ele nos dá olhos e coração. Então é só ficarmos atentos“, explicou.

Atentos também à programação do Ano da Misericórdia que será cheio de ações. Na catedral O padre Osório antecipou que até o dia 20 de novembro de 2016, quando o papa Francisco deve encerrar o ano da Misericórdia, “serão muitas as ações como as peregrinações a serem organizadas. Muitas delas já estão definidas e foram organizadas em parceria com a secretaria paroquial. Estaremos aqui toda sexta-feira de 8h às 11h e das 14h às 17h em plantão de confissão aguardando os fiéis. Aqueles que desejarem organizar a sua peregrinação devem nos acionar. Através do sacramento da confissão e do perdão de Deus vamos abraçar a misericórdia”, explica.

A professora Cléia de Paula foi uma das mais de quatro mil pessoas que participaram da abertura da Porta Santa. Como fiel ela falou da importância do momento. “É um momento que representa a presença de Jesus em nossas vidas. Sem a misericórdia não podemos viver. Os desafios do dia-a-dia vêm e a fonte é Jesus. Ele representa a nossa Igreja. A missão principal é: sermos fonte de misericórdia não só aqui dentro da Igreja, mas lá fora também” finaliza.

Outras informações

Dia 10 de janeiro, às 9h da manhã, será aberta a porta Santa no Santuário de Santa Cruz dos Milagres.

 

Por Vera Alice Brandão

Fotos: Renato Bezerra

 

Acompanhe na íntegra a homilia de Dom Jacinto para a missa de abertura do ano Santo da Misericórdia na Arquidiocese de Teresina:

Homilia Abertura da Porta da Misericórdia
Teresina, Catedral Nossa Senhora das Dores, 13 de dezembro de 2015

“Alegrai-vos, ainda uma vez vos digo, alegrai-vos no Senhor” (Fp. 4,4)

O Salvador está chegando e abre para nós as portas de sua misericórdia!
Conforme a Bula de convocação do “Jubileu Extraordinário da misericórdia” do nosso Papa Francisco, “Jesus é o rosto da misericórdia do Pai”, a quem o Apóstolo Paulo chama em Ef 2,4: “rico em misericórdia”. Misericórdia é o caminho que une Deus e o Homem, porque nos abre o coração a esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”.
Que jubiloso anúncio o Papa nos fez na Bula de proclamação deste jubileu: “A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado e ninguém pode colocar limite ao amor de Deus que perdoa”.
É esse o profundo significado do “abrir a porta da misericórdia”. Esse é o dom que nos é oferecido pelo “passar”, por assim dizer, pela Porta da Misericórdia.
Ele, o Senhor Jesus, nos chama: “vinde todos a mim” (Mt 11,28) e acrescenta: “Eu sou a porta das ovelhas, quem passar por mim será salvo (Jo 10,9).
Retomando as palavras revolucionárias de São João XXIII no dia 11 de outubro de 1962, quando abriu o Concílio Vaticano II, o Papa Francisco nos repete: “Nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade. Deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade para com os filhos dela afastados”.
Aí está, irmãos e imãs, radio-ouvintes e telespectadores, a razão da nossa alegria! O Senhor nos chama e a todos os filhos afastados a entrar pela porta da sua misericórdia, a qual insiste o Salmista: é eterna. (Sl 135/136)
Passar por ela é aceitar ser amado, perdoado, o que implica esvaziamento do nosso orgulho e autossuficiência. Deixar-se amar por Aquele que nos amou primeiro.
Entrar na casa do Senhor, simbolizada pela nossa Catedral, significa: querer entrar na dinâmica da misericórdia, sendo testemunhas dela e promovendo-a em nosso meio com gestos e palavras. Quantos caídos a beira do caminho a espera do(a) samaritano(a) de hoje! O drama da desestruturação das pessoas e da família, as chagas das separações e do ódio, as feridas abertas da competição desumana e da ganância que rouba de milhões a possibilidade de viver dignamente! Há os que clamam por ser escutados! A experiência histórica atesta que não se cura as feridas da violência com outra violência. O perdão, como se refere o Santo Padre na Bula do Jubileu é “a força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança”.
Não é sem razão que o lema do Jubileu Extraordinário é: “Misericordiosos como o Pai”, conforme se expressa o Evangelista Lucas: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).
Palavras bonitas que todos nós aplaudimos, mas atitude exigente, que clama conversão interior: “É preciso deixar-nos abraçar pela Misericórdia de Deus e comprometermo-nos a ser misericordiosos com os outros como o Pai é conosco”.
Não julgar! Não condenar! Que desafio grande. Ser instrumentos de perdão e de paz, que vocação maravilhosa para o(a) discípulo(a) de Jesus! Quem como São Francisco compreendeu a força do amor de Deus, pode cantar: “Senhor, fazei que eu procure mais perdoar que ser perdoado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado, pois é dando que ser recebe, é perdoando que se é perdoado”.
O programa para bem viver o Ano da Misericórdia está nas obras de misericórdia corporais e espirituais, que iremos retomar continuamente.
Irmãos e Irmãs estamos fazendo hoje, agora, aqui, uma página inédita da vida da nossa Igreja. Pela 1ª vez abre-se uma “Porta Santa” nas Dioceses. Desde o 1° Jubileu no ano 1.300, proclamado pelo Papa Bonifácio VIII, as chamadas Portas Santas se abriam somente em Roma.
Precisava acontecer o Jubileu da misericórdia, com o Papa Francisco, o 29° da História da nossa Igreja Católica, para a Arquidiocese de Teresina, sob a coordenação da Comissão do Jubileu, encabeçada pelo nosso Vigário Geral Pe. Tony, tivesse a Porta Santa na beleza e significado que o fato exige.
E que maravilhosa coincidência: a nossa Catedral tem como titular a Mãe dos Dores. Na expressão do Santo Padre, na Bula “O rosto da misericórdia do Pai”: “A Mãe do Crucificado – Ressuscitado entrou no Santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente do Mistério do seu amor”. O seu cântico de louvor na casa de Isabel foi dedicado a misericórdia que se estende de geração em geração (Lc 1,50).
Passando pela “Porta Santa”, devidamente preparados pela confissão e oração nas intenções do Santo Padre, dispostos a viver a misericórdia, em nosso dia a dia, iremos sempre nos deparar com a “Mãe da Misericórdia” como rezamos na Salve Rainha… Santas, como Faustina e Teresinha do Menino Jesus, apóstolas do Amor Misericordioso de Deus nos serão estimulo e valioso auxilio para nossa caminhada jubilar!
Em uma palavra, queridos (bispos) padres, diáconos, consagrados(as), Cristãos Leigos e Leigas, deixemo-nos surpreender por Deus neste Ano da Misericórdia!
É ainda o Papa Francisco que neste histórico momento nos fala: “Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia, para ir ao encontro de todas as pessoas, levando-lhes a bondade e a ternura de Deus.
A todas, todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de vós”.
Assim Seja!