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A doença da superficialidade, agravada pelo imediatismo que corrói a sociedade atual e pela necessidade do atendimento de demandas pouco consistentes, hoje é um fato na vida humana. Aos desnutridos do essencial, não é incomum negligenciar princípios, modulá-los segundo interesses ou dar-lhes as molduras de dinâmicas estreitas de compreensão, mantendo práticas em concepções ultrapassadas. É incontestável que há enfeites, e também mecanismos que escondem realidades. Não é raro comprometer-se, e até desconhecer-se, a significação maior de um evento.

Sendo assim vale a pena nos questionar o significado que a festa do Natal tem para nós. Será que nos esquecemos do real sentido do Natal? Será que nos deixamos inebriar pelos prazeres da superficialidade e do consumismo das festas de fim de ano?

Os votos natalinos precisam ganhar maior consistência. É necessário dar a eles um sentido a partir do que eles significam. A consistência desejável advém da riqueza inesgotável contida na essência da comemoração do Natal, um nascimento que a todos envolve anualmente.

Não é apenas mais uma criança que nasce. Não é só a alegria de um filho que chega. O que há de especial no ato de nascer, capítulo próprio e inesquecível da história de cada um, na alegria de uma chegada é a sua singularidade. Tal singularidade se revela na condição de Deus, pessoa infinita e transcendente ao mundo, que se aproxima de todos, tão próximo de cada um.

Por isso, há de se ultrapassar as meras formalidades dos cumprimentos, e até mesmo empreender processos que efetivem a relativização da indústria dos cartões, bem como da comercialização que obscurece a luz própria do tempo do Natal. O vazio de palavras proferidas e a esterilidade das repetições, nas frases ou nos ditos, desafiam a compreensão do Natal no seu sentido próprio. O seu sentido próprio se esconde. Os enfeites e também mecanismos que escondem realidades.

A compreensão mais autêntica da celebração do evento natalino desnuda o clamor pelas transformações que somente um novo sopro de vida pode trazer. Essas transformações são urgência urgentíssima em muitos setores e âmbitos que configuram o conjunto da vida contemporânea. A festa pode passar sem deixar marcas, porque do eterno fica pouco.

Que neste Natal sejamos capazes de tirar o véu da superficialidade dos enfeites, dos eventos, dos cartões e dos presentes, para que assim, sejamos capazes de enxergar a simplicidade do Natal, cujo real significado São João, o evangelista revelou para nós: “O Verbo de Deus se fez carne, e veio morar entre nós”. (Jo 1,14)

Faço votos de um FELIZ E ABENÇOADO NATAL, para se ter coragem de viver o amor.
Firme na fé.
Advento de 2013

Alfredo Schaffler
Bispo Diocesano de Parnaíba