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Planta de pecado

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

A pessoa humilde sabe usar a inteligência para reconhecer a verdade de si, dos outros e de Deus. Por isso, sabe usar os próprios talentos para servir os outros e a sociedade, principalmente os mais carentes. Não faz as coisas, mesmo obras de caridade e benemerência, para aparecer e exercer estrelismo. Dialoga, perdoa, não guarda rancor nem quer derrubar ou passar por cima dos outros. Não usa de artimanhas para ganhar ou aparecer a qualquer custo.

O texto bíblico do Eclesiástico fala da planta de pecado de quem tem o mal do orgulho e essa pessoa nem percebe. Para esse mal não existe remédio.  Por isso, quem é inteligente, sabe usar da sabedoria para não ter essa planta ou esse mal (Cf. Eclesiástico 3, 30-31).

Em nosso convívio nos deparamos com comportamentos que indicam a existência de muito orgulho em pessoas apresentadoras de ar de superioridade. Parece serem donas de tudo e de todos, não dando voz nem vez aos outros. Para aparecerem, são capazes de mentir, enganar, comprar, dar propinas, usar o que é dos outros só para si, publicar seus feitos ou fingir que são feitos, diminuir e perseguir quem não concorda com suas condutas contrárias à ética e à moral. “Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele”, o Senhor, “revela seus mistérios” (Eclesiástico 3,20). Na realidade, não é só Deus que rejeita essas pessoas, como também os que têm a virtude da humildade e são pessoas do bem.

Não é fácil tirar a planta de pecado dos orgulhosos. Se eles se voltarem para Deus, sem fingimento religioso, então Deus pode mudar seus corações, porque Ele é misericordioso. A misericórdia, aceita e experimentada, muda o coração orgulhoso em humilde. Então a conversão se dá, por mercê divina. Como precisamos suplicá-la a Deus! Como precisamos também exercitá-la em nosso convívio! Uma comunidade de pessoas humildes produz só o bem a todos. Torna-se fonte de vida digna, justiça, promoção da vida de sentido e adequada à realização de todos. Aí vai haver mais inclusão social, formação e desenvolvimento de família conforme o projeto divino e não de acordo com o materialismo e o hedonismo, como também a prática da política de real serviço ao bem comum. Infelizmente, na comunidade temos mistura de humildes e orgulhosos. Por isso, os primeiros devem, com seu testemunho de vida e ação, sobrepujar os outros com as armas da bondade, da generosidade, da justiça e da defesa da verdade e do bem comum, não aceitando serem dominados por mentiras e insanidades.

Conforme o Evangelho, Jesus contou a parábola dos convidados para uma festa de casamento, que ocuparam os primeiros lugares e tiveram que ir  mais para traz, dando vez a outros convidados e passando vergonha. Por isso, concluiu: “Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”. De fato, não é grande quem se coloca como mais importante e sim quem é considerado em sua atitude de grandeza moral e de contribuição com o bem do semelhante através do serviço prestado com suas capacidades e funções.

A pessoa humilde se aproxima de Deus com muita confiança. Não só pede e recebe dele força para fazer o bem ao semelhante, mas apresenta-Lhe sua disposição e seu compromisso de ser bom para com o próximo. Aceita realizar a vontade do Senhor. Une-se à comunidade para reforçar o testemunho da verdade e do bem (Cf. Hebreus 12,18-24).

Sobre o autor

Ronaldo Diniz

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