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Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

O número dos discípulos de Jesus crescia assustadoramente após a pregação dos Apóstolos. Por isso os chefes dos judeus tiveram inveja e se opunham aos mesmos Apóstolos e ao ensinamento sobre o Mestre ressuscitado (Cf. Atos 13,45). Mesmo perseguidos e até presos, os escolhidos do Senhor eram destemidos e continuavam sua missão de anúncio do Evangelho além dos judeus, indo ensinar aos pagãos ou gentios. Era uma pregação sem fronteiras, pois, Jesus não veio só para seus concidadãos. Veio para salvar a humanidade. Quem se salva é quem, recebendo o Evangelho, se converte e O segue.

Com a confusão religiosa por tantas propostas diferentes, e até, às vezes, semelhantes, muitos ficam confusos, perguntando a quem e a que devem seguir. Mesmo em pessoas religiosas há defeitos e erros. De fato, a conversão é um ato contínuo de toda pessoa que aceita rever-se para tentar acertar melhor com o seguimento a Jesus e à sua proposta de amor. Ninguém está imune a erros e pecados. Não podemos confundir o ensinamento de Jesus com a prática de muitos seguidores. A Igreja é santa e pecadora ao mesmo tempo. É santa pela presença de Deus. É pecadora pela realidade do ser humano que procura segui-Lo e nem sempre consegue acertar bem em tudo. A Igreja é necessária para oferecer subsídios deixados nela por Jesus para nos ajudar: suja Palavra, oração, penitência, ensinamento dos Apóstolos, sacramentos, fraternidade…

Mas a Igreja é meio e não finalidade. No bom uso do meio temos grande força e propulsão para a missão, que é levar Jesus e seus ensinamentos para que todos tenham vida. A evangelização não é imposição de cultura e de valores. É proposta de amor para ajudar a humanidade a encontrar o equilíbrio do amor e da justiça para todos terem vida plena já na caminhada desta história. Faz com que o planeta seja cuidado e tudo o que nele existe, a partir do ser humano.

Paulo e Barnabé lembram a missão da Igreja: “Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra” ( Atos 13,47). De fato, ser luz é dar condição a todos de enxergar o porquê da vida e como fazer para atingir sua finalidade, levando a todos a vida digna, sendo tratados como irmãos e filhos de Deus.

A união de todos para cuidarem do planeta, promovendo a vida digna para cada um é essencial. Ninguém pode se eximir de colaborar para a implantação da justiça, em que todo ser criado por Deus seja tratado com seus direitos e deveres, a ponto de ter o necessário para viver como ser importante aos olhos de Deus e de cada ser humano. A evangelização, com o ensino da verdade e do bem é para todos. Jesus lembra que Ele veio para que todos tenham vida plena. O Evangelho é para a promoção dessa vida. Não é confinado a um grupo religioso. Por isso, ninguém pode barrar o anúncio do mesmo em bem de todos.