Na unidade prisional Gonçalo de Castro Lima – a Penitenciária Vereda Grande – surgiu o primeiro grupo do Terço dos Homens Mãe Rainha (THMR) do estado, formado por internos. O presídio fica na cidade de Floriano, no estado do Piauí.

Há quase dois meses, cerca de 20 homens deixam suas celas uma vez por semana, sempre às quintas-feiras à tarde. Eles se reúnem, durante uma hora, para rezar os mistérios do Terço e refletir sobre o Evangelho do dia.

“Aqui precisamos alimentar a nossa fé e a nossa esperança”

A iniciativa partiu de um dos internos, Jânio Santana Pereira Martins, que está detido há três meses. Ele manifestou o desejo de rezar o Terço com os outros detentos e pediu que tivesse acesso ao manual oficial do Terço dos Homens Mãe Rainha.

Unidade prisional Gonçalo de Castro Lima – a Penitenciária Vereda Grande

“Por ação do Espírito Santo, tomei essa decisão e, conversando com uma das agentes penais, e com a graça de Deus, conseguimos trazer uma equipe do Terço dos Homens. A gente sabe o poder da oração e precisamos alimentar a nossa fé e a nossa esperança”, disse Jânio Santana.

Uma decisão que reflete aquilo que acredita o Papa Francisco: “A prisão, com a ajuda dos agentes penitenciários, pode se tornar deveras um lugar de redenção, de ressurreição e de mudança de vida; e tudo isto é possível através de percursos de fé, de trabalho e de formação profissional, mas, sobretudo, de proximidade espiritual e de compaixão, seguindo o exemplo do bom Samaritano”[1].

Era para ser apenas um dia, mas a oração ganhou força

Em vez de apenas enviar o manual, uma equipe diocesana do Terço dos Homens decidiu ir até a penitenciária para levar orientações sobre como rezar o terço. O que deveria ser somente um dia de formação, virou rotina. Desde então, todas as quintas-feiras o grupo se reúne em uma das salas da unidade prisional.

Nasce o Terço dos Homens

O trabalho foi devidamente autorizado pela direção do presídio, que também garante a segurança dos integrantes do Terço dos Homens que entram para rezar.

Esperança e projetos para o futuro

Jânio explica que o presídio é um lugar onde pessoas abandonam a esperança, mas, com a oração do terço, muitos se reanimaram na fé. Alguns, inclusive, já planejam montar grupos do terço em suas cidades, quando deixarem o cárcere.

O diretor da unidade, Edilson Porto Mousinho, disse que os próprios detidos pedem o direito de participar dos encontros e que a experiência tem gerado muitos frutos na vida dos internos.

Nasce o Terço dos Homens

“Eles têm mudanças positivas de comportamento e perspectivas de vida, com novas esperanças para o futuro, para quando deixarem o presídio”, disse o diretor, que também destacou o trabalho de outros grupos religiosos na unidade.

Eles hoje se emocionam a cada encontro

João Francisco da Cunha Silva, coordenador regional do Terço dos Homens no Piauí, explica que sentiu nos internos uma sede de Deus, de conhecer e ouvir mais sobre as coisas de Deus. “Diante disso, decidimos criar o grupo para aprofundar mais sobre a formação. E a resposta tem sido fantástica. Aqui tínhamos homens que não sabiam sequer fazer o sinal da cruz, nem rezar qualquer oração simples, e hoje se emocionam a cada encontro com o terço e o manual nas mãos”, finalizou João Francisco.

Maria, Mãe e Educadora no cárcere

O Terço dos Homens Mãe Rainha faz parte do Movimento Apostólico de Schoenstatt e foi o responsável pelo despertar de inúmeros grupos do Terço em várias dioceses do Brasil. Atualmente envolve mais de 1 milhão de integrantes pelo país e diversos grupos realizam ações sociais, além de se reunirem semanalmente para rezar.

Na espiritualidade de Schoenstatt, Maria tem o papel de ser Mãe e Educadora de homens novos. É justamente por isso que sua presença no presídio é tão especial.

“É mais fácil reprimir que educar – diria que é mais cômodo também”disse o Papa Francisco sobre a realidade carcerária. Em contraste a isso, os integrantes do Terço dos Homens levam a imagem de Maria como sinal de acolhida, transformação e de esperança.

[1] Discurso do Papa Francisco aos Funcionários do Presídio de “Regina Coeli” de Roma.  Sala Paulo VI. Quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019.

Fonte: Vatican News