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Vocação laical

Há pouco celebramos os 50 anos do Concílio Vaticano II que, principalmente, em dois documentos, Lumen Gentium IV e Apostolicam Actuositatem , ressaltou a presença  dos leigos na  vida Igreja, não como um apêndice, mas como presença necessária na vida e missão de Igreja. O Sínodo dos Bispos de 1987 ocupou-se exclusivamente da vida e missão dos fiéis leigos e São João Paulo II “traduziu” na Exortação Apostólica pós sinodal Christifideles laici as indicações sinodais.

No Brasil grandes passos foram dados a partir dos documentos conciliares e sinodal. As Conferências do Episcopado Latino-americano, de modo especial a de Santo Domingo e Aparecida, dão especial relevo à missão dos leigos e leigas. A CNBB, com a criação da Comissão Episcopal para o laicato, faz constante reflexão sobre esta missão e está em permanente diálogo aberto. Já em 1970 tivemos um documento voltado para os leigos e sua missão e  grande passo na reflexão e ação foi dado com o Documento 62, aprovado na Assembleia de 1999, ”Missão e Ministérios dos cristãos leigos e leigas”. Continuamos estas reflexões com o amadurecimento do Documento de Estudos da CNBB 107 A, “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da terra e luz do mundo. “

Não podemos em nossas Igrejas pensar na obra da evangelização sem a presença atuante, não simplesmente subsidiária, dos leigos e leigas.  A atuação dos leigos e leigas na vida da Igreja é instrumento que revela esta mesma Igreja como mistério de comunhão na continuação da Obra redentora de Cristo. Não há contraposição entre a vocação laical e as outras vocações na vida da Igreja.  Como todas as vocações e ministérios específicos na vida da Igreja, a vocação laical deve ser sempre repensada e atualizada para que em cada época não perca a sua essência. Neste sentido é pertinente dizer que a vocação laical não é algo pronto e acabado.

A vocação laical não engloba todas as vocações na vida da Igreja. É essencial na vocação laical a sua secularidade: ser no mundo e na sociedade presença evangelizadora de Cristo; ser  presença do Reino de Deus no coração do mundo. Estas poucas palavras envolvem uma gama praticamente infinita de lugares onde estar presente como discípulo missionário de Jesus Cristo. Para tanto é também essencial à vocação laical a vida de participação e comunhão na comunidade cristã. O fiel leigo é alguém que experimentou o encontro com o Cristo Ressuscitado na comunidade cristã, onde foi iniciado na vida cristã (conversão, discipulado, comunhão) e em nome  e comunhão com esta comunidade, com a autonomia que lhe é própria, vive no coração do mundo o seu testemunho cristão e o plantio dos  valores do Reino. Sem uma identidade genuinamente cristã, que envolve o senso de pertença a Igreja, os cristãos leigos e leigas, não são capazes de viver o Reino no coração do mundo.

+Edmilson Amador Caetano, O.Cist.

Bispo diocesano de Guarulhos

Presidente da Comissão Episcopal para o laicato do Regional Sul 1

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Ronaldo Diniz

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