O bispo de Bom Jesus do Gurgueia, dom Marcos Tavoni,  esteve no último dia 24, na feira de Negócios Agropecuários de Bom Jesus – AGROSHOW, onde, no espaço oferecido pelo SEBRAE, proferiu palestra relacionada com o meio ambiente e as questões que envolvem o campo.

Em seu discurso Dom Marcos tratou sobre a Carta Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que está completando 10 anos de publicação e será assunto central da 16a. Romaria da Terra e da Água do Piauí que acontecerá, no próximo ano, em Bom Jesus, sob o tema: Ecologia integral à serviço da vida e Lema: “Deus preparou essa terra para o pobre”.

O destaque da Palestra de Dom Marcos chamou a atenção da plateia pelo seu tom profético ao falar dos desafios presentes em relação ao cuidado do meio ambiente, no Sul do Piauí.

O Bispo manifestou preocupação com a questão do desmatamento e a constatação da fragilidade dos mecanismos apresentados pelo Estado para o controle, prevenção, coibição e fiscalização das áreas de preservação. Ele apresentou algumas publicações da imprensa regional e nacional sobre o desmatamento da mata atlântica no Piauí. Gráficos alarmantes apontam o Piauí como o estado que mais desmatou em todo o Brasil no ano de 2023, desmatou um total de 40% da mata Atlântica de todo o Brasil, restando apenas 15% da reserva antes existente no Piauí. Houve fazenda, entre outras, que desmataram 1,5 mil hectares, totalizando o desmatamento de uma área de 19,7 mil hectares, da reserva da mata Atlântica.

Em matéria jornalística, a Folha de São Paulo online, do último dia 22/05, apontou os municípios piauienses de Alvorada do Gurguéia e Manoel Emídio no ranking nacional do desmatamento da mata Atlântica.

A reportagem revela, ainda, a total falta de políticas públicas e de investimentos na preservação dos biomas. Secretários municipais de meio ambiente que justificam as falhas da fiscalização com a falta de equipamentos e pessoal e outros desconhece totalmente a legislação ambiental e a Lei da Mata Atlântica.

Na finalização da matéria a ambientalista Tânia Martins diz haver apenas dois motivos para o descontrole do desmatamento a esse patamar, o descaso do Estado e o favorecimento de interesses.

Ao final de sua palestra e visita à feira de Exposição, Dom Marcos, deu entrevista a nossa PASCOM:

“Infelizmente reina em todos nós um sentimento de impotência diante da trágica situação dos nossos biomas.

Infelizmente o nosso Estado vai na contramão de uma ecologia integral e da proteção da Casa Comum. Tramita na ALEPI um PL – Projeto de Lei, encaminhado pelo Governo e que tem como relator o Deputado Francisco Limma (PT) e que pretende alterar, dar novo texto à Lei que regula o meio ambiente no Estado. Já houve uma tentativa de aprovação do projeto a toque de caixa sem o envolvimento, a participação do coletivo das comunidades impactadas. O PL foi rejeitado por conter vários pontos polêmicos que só acentuam, ainda mais o problema ambiental, facilitam as liberações de licenças ambientais para o desmatamento, diminui o valor das multas e ameniza o pagamento de multas altas.

Os bispos do Regional se reuniram com o Fórum das Pastorais Sociais do Estado, na última quarta-feira, dia 22/05, em caráter de urgência para tratar do assunto e articular o envolvimento das Pastorais Sociais na elaboração do novo texto a ser apresentado para votação.

A não divulgação e convocação da sociedade organizada, a sua não participação do processo de elaboração e votação do PL é um verdadeiro retrocesso democrático. Temos que fazer valer a nossa voz, nossa participação, nossos direitos de cidadãos.

É demasiado preocupante o que se vê acontecer veladamente, pessoas inescrupulosas e insensíveis, cientes da tramitação desse novo PL, passaram a desmatar como se não houvesse amanhã. Quase 18 mil hectares de mata Atlântica, desmatados, não é pouca coisa, é escandaloso! Ninguém viu? Foi preciso constatação por imagens de satélite, e somente depois de desmatado? Por onde passou toda a mata, madeira e lenha, retiradas destas áreas? Não há apenas uma estrada? Infelizmente essa é a situação, sentimento de impotência e decepção, pois esperávamos ações de um governo ambientalista, comprometido com a causa e, tristemente, não é o que estamos acompanhando. Quase toda a mata atlântica foi desmatada. Se a falha está na manutenção dos mecanismos de controle e fiscalização falhos, de que adianta novas regras? Mas nossa vida e a vida do nosso povo é movida pela esperança, e esta vem do alto, por isso a proposta da Romaria da Terra e da Água para o próximo ano, pretende ser um grande Fórum de discussões que debata, positivamente, a questão ecológica, de maneira integral, em favor da nossa Região, do planeta nossa Casa Comum, em favor das próximas gerações, nossos filhos e netos; considerando o nosso lema, proposto: “Deus preparou essa terra, para os pobres” (Sl 67,11).

Fonte: Diocese de Bom Jesus

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