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Eu vim para que todos tenham vida (Jo 10, 10)

A Diocese de Parnaíba, reunida em Assembleia Pastoral, com bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas,  consciente de sua missão evangelizadora, na opção pelos pobres e na busca de uma ação social transformadora, vem, por meio desta Nota, fazer um alerta sobre a contaminação com manchas de petróleo em nosso Litoral e risco de vida aos cidadãos que moram ou visitam nossa região. Também vem a público manifestar sua solidariedade aos pescadores e pescadoras e às outras populações atingidas e estará sempre pronta na busca de soluções.

Desde setembro, todos nós acompanhamos, apreensivos, o avanço do petróleo pelo litoral nordestino e em nosso Estado. As primeiras informações davam notícias de que havia manchas na Praia da Lama, em Cajueiro da Praia; no Arrombado, Coqueiro e Atalaia, em Luís Correia; também na Pedra do Sal, em Parnaíba e na Reserva Extrativista (Resex) em Ilha Grande e Araioses (MA). Eram em pequenas quantidades de óleo e estávamos numa situação de baixa contaminação. No dia 14/11, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado interditou, provisoriamente, toda a orla da praia de Atalaia, em Luís Correia, devido ao aparecimento de novas manchas de óleo no local. No dia 15 de novembro, a situação se agravou quando toda a área da Pedra do Sal também fora afetada pelo óleo. Pescadores relataram que havia muito petróleo no mar, chegando para o litoral e que, nos próximos dias, esta situação tendia a piorar com a mudança de lua, com marés grandes no final do mês. No dia 16/11, as praias de Pedra do Sal e Peito de Moça também foram interditadas para banho.

Sabemos que foram montadas equipes de limpeza de praia com ICMBio, IBAMA, SEMAR, Marinha, Corpo de Bombeiros, ONG’s, pescadores e Prefeituras Municipais, mas perguntamos: Limpar praias resolve a situação?  Não seriam necessárias ações para deter o óleo no mar? Sabemos que existem leis e políticas públicas que assistem a população para o enfrentamento desse problema, a exemplo do Plano Nacional de Contingência, que até agora não foi aplicado.

Nosso litoral tem uma rica biodiversidade que garante a sobrevivência dos pescadores e pescadoras dentro do berçário que é a APA e Resex Delta do Parnaíba. Este petróleo contamina mariscos, caranguejos, ostras, camarões, siris, peixes e todo o ambiente. O risco maior é para os pescadores e pescadoras, mas, atinge também toda a população e o turismo. Há possibilidade de surgimento de diversas doenças e vários tipos de câncer a partir da contaminação das águas e dos pescados. A chegada de mais óleo nas praias e sua entrada nos manguezais e nos rios trará consequências gravíssimas ao ambiente e ameaça a sobrevivência de milhares de famílias em todo o Litoral. Esse impacto negativo durará por muitos anos. Nossa Casa Comum sofrerá com perdas incalculáveis e, em alguns casos, irrecuperáveis.

É, portanto, urgente e necessário ouvir os pescadores e pescadoras que, com seu conhecimento tradicional sobre as espécies e o ambiente marinho, podem contribuir na construção de soluções para a contenção do óleo ainda no mar.

Limpar praias, somente, não é solução do problema. É necessário que os órgãos de Saúde Pública monitorem os níveis de contaminação do ambiente, dos pescados e das pessoas que têm tido contato direto com o óleo ou que continuam utilizando as praias para o lazer, pois as consequências serão de longo prazo para a saúde da população.

Diante dessa situação, a Diocese de Parnaíba apresenta sua solidariedade a todos aqueles que, de alguma forma são atingidos por esse desastre ambiental. A Casa Comum, anunciada e defendida por nossa Igreja Católica, sofre com a mão desastrosa dos que provocaram essa catástrofe. Temos a certeza de que uma ação imediata se faz necessária, tendo em vista que muitas famílias tiram o seu sustento das águas que alcançam o nosso litoral.

Parnaíba, 17 de novembro de 2019.

Dia Mundial dos Pobres